O futuro da gastroenterologia



Boas novidades em diversas áreas


Por Dr. Guilherme Sander


Todas as doenças começam pelo intestino. A frase de Hipócrates parece estar sendo comprovada neste século XXI. Os últimos anos têm sido férteis em novas descobertas sobre o funcionamento do eixo cérebro-intestino, microbiota intestinal, permeabilidade intestinal, novas opções no tratamento da obesidade, modulação de hormônios gastrointestinais para o tratamento da diabetes e novas técnicas endoscópicas. As novidades não param. Por outro lado, o câncer do aparelho digestivo ultrapassou a isquemia cardíaca e os acidentes vasculares cerebrais como principal causa de morte em Porto Alegre, e dor abdominal é a razão mais frequente de consulta nas emergências dos hospitais.

Como melhorar a prevenção? Como usar a tecnologia e as novas descobertas a nosso favor? Como tirar proveito das novas descobertas e reduzir a morbimortalidade associada ao aparelho digestivo? A seguir, algumas novidades que podem auxiliar a responder essas perguntas.


Obesidade


A gastroplastia vertical endoscópica (GVE), também chamada de endossutura gástrica, é uma nova técnica minimamente invasiva para perda de peso. É uma opção para pacientes com obesidade de leve a moderada, para quem o tratamento clínico com dieta e exercícios não foi suficiente. Sem retirar nenhuma parte do estômago ou do intestino, a gastroplastia vertical endoscópica oferece menor risco de complicações durante e após o procedimento, levando à perda de 15% a 20% do peso total inicial após um ano.

Como outros procedimentos para perda de peso, esse também exige comprometimento com uma dieta saudável e atividade física regular. O site da Mayo Clinic, eleito melhor hospital dos Estados Unidos, tem muita informação interessante sobre o procedimento:https://cutt.ly/gastroplastia

Rastreamento do câncer de cólon, já aos 45 anos

Em outubro, o US Preventive Services Taskforce (USPSTF), órgão norte-americano que normatiza as ações preventivas em saúde, publicou uma recomendação para que o rastreamento do câncer colorretal seja iniciado aos 45 anos em ambos os sexos e não aos 50 anos, como vinha sendo feito. A recomendação ratifica a anteriormente realizada pela American Cancer Society (ACS), em 2018.

Microbiota intestinal

Vários estudos interessantes têm sido publicados sobre o tema da microbiota intestinal. Em um deles, Eloi Chazelas acompanhou 105 mil pessoas por seis anos, encontrando evidência de que adoçantes não são substitutos saudáveis para os açúcares. O risco cardiovascular em grandes consumidores de adoçante foi aumentado em 32%, bem superior aos 20% observados com alto consumo de açúcares. O autor sugere que o risco aumentado é consequência da desregulação da flora intestinal, em linha com achados de estudos anteriores.


Realizado na Alemanha e coordenado pelo Dr. Fabian Frost, outro estudo acompanhou 1282 pacientes que coletaram fezes em dois momentos, com cinco anos de diferença entre um e outro. A esteatose hepática (fígado gorduroso) e o diabetes foram relacionados com flora instável, ou seja, com quem tinha grande variação do perfil da flora intestinal. Em pessoas saudáveis, ela tende a ser estável ao longo do tempo. Em geral, houve estabilidade da flora intestinal, com predomínio de Bacteroides, Prevotella e Faecalibacterium. Pacientes com diabetes e fígado gorduroso tiveram mudanças nesses cinco anos, com aumento de bactérias potencialmente patogênicas, como Enterobacteriaceae, Escherichia/Shigella e Citrobacter.




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